ROCHESTER, Minnesota — Um interruptor molecular tem a capacidade de ativar uma substância em animais que restauram danos neurológicos em distúrbios como esclerose múltipla, pesquisadores da Mayo Clinic descobriram. A pesquisa inicial em modelos animais pode avançar um tratamento já aprovado pela FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA), além de poder levar a novas estratégias para tratar doenças do sistema nervoso central. 

A pesquisa realizada por Isobel Scarisbrick, Ph.D. e publicada no Journal of Neuroscience revelou que, ao desativar geneticamente um receptor ativado pelas proteínas do sangue, denominado Receptor Ativado por Protease do tipo 1 (PAR1), o corpo ativa a regeneração da mielina, uma substância gordurosa que reveste e protege os nervos. 

"A regeneração da mielina tem um potencial enorme de melhorar a função. Nós demonstramos que, quando bloqueamos o receptor PAR1, a cura neurológica é muito melhor e ocorre muito mais rapidamente. Em muitos casos, o sistema nervoso tem uma boa capacidade de restauração interna", disse a Dra. Scarisbrick, principal investigadora e autora sênior. "Isso abre o caminho para o desenvolvimento de estratégias clinicamente relevantes de regeneração da mielina." 

Mielina, trombina e o sistema nervoso 

A mielina age como um isolante de fios que protege os sinais elétricos enviados através do sistema nervoso. A desmielinização, ou lesão da mielina, desacelera os sinais elétricos entre as células cerebrais, resultando em perda da função sensorial e motora. Às vezes, o dano é permanente. A desmielinização é encontrada em distúrbios como esclerose múltipla, doença de Alzheimer, doença de Huntington, esquizofrenia e lesão da medula espinhal

A trombina é uma proteína no sangue que ajuda na cura. Porém, uma quantidade excessiva de trombina aciona o receptor PAR1, localizado na superfície das células, e isso bloqueia a produção de mielina. Células progenitoras chamadas de oligodendrócitos, que são capazes de regenerar a mielina, muitas vezes são encontradas nos locais de lesão da mielina, inclusive lesões desmielinizantes no caso da esclerose múltipla. 

"Esses oligodendrócitos não conseguem se diferenciar como células regeneradoras da mielina maduras por motivos que ainda não estão claros," disse a Dra. Scarisbrick. "A nossa pesquisa identifica o PAR1 como um interruptor molecular da regeneração da mielina. Neste estudo, demonstramos que bloquear a função do PAR1, também conhecido como receptor de trombina, promove a regeneração da mielina em dois modelos experimentais únicos de doença desmielinizante." 

A pesquisa 

A pesquisa focou-se em dois modelos utilizando camundongos. Um era um modelo agudo de lesão da mielina, enquanto o outro serviu para estudar a desmielinização crônica, sendo que cada modelo possuía características únicas de perda da mielina presentes na esclerose múltipla, doença de Alzheimer e outros distúrbios neurológicos. Os pesquisadores bloquearam geneticamente o PAR1 para impedir a ação da trombina excessiva. 

Além de descobrir um novo interruptor molecular que ativa a regeneração da mielina, a pesquisa também descobriu uma nova interação entre o receptor PAR1 e um sistema de crescimento muito poderoso chamado de Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF). O BDNF é como um fertilizante para células cerebrais que as mantém saudáveis, em funcionamento e em crescimento. 

Também vale ressaltar que os pesquisadores descobriram que um medicamento aprovado pela FDA dos EUA que inibe o receptor PAR1 também demonstrou sua capacidade de aumentar a produção de mielina em células testadas em laboratório. 

"É importante esclarecer que nunca defendemos nem estamos defendendo agora que os pacientes tomem esse inibidor por enquanto", disse a Dra. Scarisbrick. "Ainda não utilizamos o medicamento em animais, e ele ainda não está pronto para ser aplicado aos pacientes para fins de restauração da mielina. Utilizando sistemas de cultura de células, estamos mostrando que isso tem o potencial de melhorar a regeneração da mielina." 

Novas pesquisas são necessárias para confirmar e avançar os achados até a fase de prática clínica. 

O estudo foi possibilitado por uma bolsa da National Multiple Sclerosis Society (Sociedade Nacional da Esclerose Múltipla) com o apoio do Mayo Clinic Rehabilitation Medicine Research Center (Centro de Pesquisa em Medicina de Reabilitação da Mayo Clinic), do Center for Multiple Sclerosis and Autoimmune Neurology (Centro de Esclerose Múltipla e Neurologia Autoimune) e do Mayo Clinic Center for Regenerative Medicine (Centro de Medicina Regenerativa da Mayo Clinic). 

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